“CARTA DE DESPEDIDA


Tenho o bilhete e chave na mão

Não deixes as flores sem beber

Chuva em Roma é a previsão

Levo o casaco que gostas de ver


O melhor de partir é voltar

Saber-te à espera a sorrir

Prometo que trago um beijo apertado

E só de abraços serão mil

Mas diz-me o tempo que é hora de ir”



O Pedro estava de partida novamente! O trabalho exige que viaje uma e outra vez. Durante os períodos em que esteve fora do país, já surpreendeu a Inês com flores, chocolates, postais… para o Pedro é importante mostrar que a distância é só um lugar, e não um sentimento. Pediu-nos uma canção, que foi entregue precisamente no dia em que voou para Itália. Há uns dias contou-nos que a ouve sempre que entra no avião. Pela Inês, para a Inês.


CARAMELO

“SAMBA DO AMOR À CIDADE


A cidade não se cansa

Nem com a noite quase aí a chegar

Atravesso avenidas

Com lua a abençoar


Acelera coração

E não perca a sua vez

No meio da multidão


E de repente vi você

Sob as estrelas do meu céu

Encostado no portão

E segurando o chapéu

Disse boa noite nesse tom

E foi aí que o amor se deu

Desse jeito em redenção

A cidade era eu”



Conhecemos a Isabela alguns meses antes do seu regresso ao Brasil. Arrebatou-nos a sua alegria expressiva, os olhos grandes e iluminados, a forma como parecia cantar cada frase. Fizemos uma amiga. Percebemos que, apesar de se sentir aconchegada no Porto, estava ansiosa por voltar a São Paulo, o único lugar a que chamava casa. Falou-nos tantas vezes da imensidão da cidade, da riqueza de influências, dos parques e dos lagos, do que tinha saudade…  Pensámos que a melhor forma de nos despedirmos seria escrever um samba, uma canção que representasse o seu amor por São Paulo mas que, ao mesmo tempo, não a fizesse esquecer o Porto. Tivemos o privilégio de a ver receber este presente. E foi tão bom!


CARAMELO

“MARIA


Um longo e doce beijo

Um copo de leite quente

Saltam migalhas coloridas

Do colo da mãe de sempre


O Farrusco enciumado

Ladra em jeito rezingão

Tem o pêlo sarapintado

Parecem bolas de sabão


Na cozinha cheira a quente

A ponto de rebuçado

O nariz do pai tem claras

As gemas estão já no tacho”



Escrever para a Maria foi um delicioso pretexto para voltar a dar passos pequeninos, brincar com bonecas e adormecer em castelos andantes. Gostamos especialmente destes presentes, porque sabemos que vão crescer, crescer e crescer com as crianças que dão nome às canções. Os pais da Maria queriam uma letra mimosa, que falasse dos momentos em que se juntam para cozinhar bolachas, com o dálmata Farrusco sempre a rondar a mesa. Esperamos que a Maria sorria, um dia mais tarde, ao ouvir esta música.


CARAMELO

“DESDE O PRIMEIRO OLHAR


Trazias um vestido azul

De fazer inveja ao céu

E naquele instante foi claro

Que o meu destino era o teu


E os anos vão passando

Há rugas a contar

Cada pedaço de história

Lembra o primeiro olhar


Foi uma longa viagem

E o tempo não se enganou

És o caminho de casa

O riso que Deus inventou


E os anos vão passando

Há rugas a contar

Cada pedaço de história

Lembra o primeiro olhar”



Quando o António nos falou do dia em que conheceu a Margarida, foi como olharmos uma fotografia a cores com mais de duas décadas. Se há imagens que merecem ser celebradas, esta é uma delas! Para brindarem aos 25 anos de história comum, pediram-nos uma canção que pudessem mostrar um dia aos netos e que fosse a tonalidade de um amor que ainda hoje se deixa abraçar.


CARAMELO

“NATAL EM LISBOA


De gorro e luvas

Passo apressado

Desço a tua rua

À espera está o chiado

Acordam-se as luzes

No largo há gente

E é Natal

De repente


Castanhas às dúzias

Aquecem as mãos

E o Tejo inventa

As cores do postal

Deste Natal


Desço a calçada

Encontro Pessoa

Na torrada matinal

Lá vai o eléctrico

Que acena a Lisboa

A casa do meu Natal”



As nossas pessoas são a nossa casa. Onde estiverem os que mais gostamos é onde queremos pensar o Natal. Por isso escrevemos esta canção, um brinde a Lisboa, e que alguém irá encontrar no sapatinho, a 25 de Dezembro. Mas ainda é segredo!!


CARAMELO

“CINDERELA


Prendes o cabelo

Num jeito alinhado

Perguntas se o amor

Tem código de barras


Basta que te veja

E gastam-se as palavras

Ris-te do silêncio

E corres para a estrada


A lua já vai cheia

Repetes num adeus

Fica mais um pouco

Peço-te outra vez

Espera Cinderela

Afinal quem és?”



Há histórias que começam assim, em suspenso, com pontos de interrogação, indefinições. Quando pedimos ao Nuno que nos fizesse uma breve descrição da pessoa que queria encantar, não esperávamos a resposta: “Mal a conheço.”! O desafio era cantar aquela rapariga que se cruzou com ele algumas vezes, e deixar na música o mesmo mistério que provocou cada encontro. Esta amiga de amigos do Nuno é a sua Cinderela!


CARAMELO